Entrevista sobre astrologia

A seguir, minhas respostas às perguntas realizadas pelo vice-presidente da Federação Venezuelana de Astrologia, Carlos Dum. A versão em espanhol será publicada na Revista Universo dos amigos venezuelanos, onde tive o prazer de dar um curso ano passado sobre as diferenças entre a astrologia e a astronomia.

1.-  ¿Desde cuando y que te motivó a estudiar astrología?

Comecei a estudar astrologia muito cedo, por volta dos 11 anos de idade, por razões meio “acidentais”. Eu era apaixonado pela minisérie “Cosmos”, de Carl Sagan, e adorava astronomia. Eu morava em Salvador, Bahia, e era muito difícil encontrar revistas ou livros sobre astronomia, não existia internet, enfim, era quase impossível encontrar qualquer coisa sobre o assunto. Em compensação, a revista Planeta publicava constantemente edições especiais sobre astrologia. Em minha confusão juvenil, achei que fossem a mesma coisa, e só fui me tocar que eram assuntos totalmente distintos alguns anos depois.

É claro que desde o início percebi que o que se falava naquelas revistas não tinha a ver com o discurso de Carl Sagan, mas os artigos eram bem escritos. Quando percebi a diferença, já era tarde demais. Tinha me apaixonado por astrologia e por tudo o que ela traz em seu bojo: estudos de simbologia, história, comportamento humano etc. Quando me dei conta, estava sendo solicitado para fazer mapas astrais e dar aulas sobre o assunto. Atendi muitas pessoas ao longo de mais de vinte anos e dei muitas aulas neste mesmo periodo. Atualmente, atendo bem menos porque me dedico a pesquisas de pós-graduação em filosofia política e a uma nova graduação em astronomia. Levei quase 25 anos para poder realizar o sonho de criança de estudar astronomia. É engraçado como a vida leva a gente por caminhos diferentes. É como se eu tivesse feito uma viagem mais longa para chegar onde queria, mas gostei da paisagem.

2.-  Ahora en el siglo XXI ¿es posible que los seguidores de la astrología y la astronomía vuelvan a conseguir algún punto en común?

Ponto em comum me parece que já existe: o céu. Mas ter um objeto de estudo como elemento comum não significa nada. A astronomia se preocupa com física celeste. A astrologia se ocupa da construção de simbologias e atribuição de significados. Gosto de uma frase de um astrólogo curitibano, João Acuio: “astrologia não tem a ver com astronomia, tem a ver com semiótica”. Ele disse isso outro dia no Twitter. Concordo com ele.

Não vejo razões para a astrologia e a astronomia terem que se unir, e acho a separação bastante válida. Apoio totalmente a existência de conhecimentos que não são “oficialmente científicos”, por ser um apreciador da pluralidade de saberes e repudiar qualquer tipo de totalitarismo do pensamento. Vejo com desconfiança essa necessidade que alguns astrólogos têm de receber o aval da ciência oficial. Via de regra, a relação dos esotéricos com a ciência oficial tem algo de esquizofrênico: criticam o método científico, mas ao mesmo tempo parecem pleitear algum tipo de reconhecimento neste sentido.

Mas acho o diálogo entre astrônomos e astrólogos interessante. Astrólogos sem dúvida só têm a se beneficiar com o estudo da mecânica celeste, com o aprendizado de aspectos fundamentais de cálculo que são tão importantes. Acho positivo que o astrólogo aprenda a fazer alguns cálculos a mão e dependa menos de programas de computador. No que concerne aos astrônomos, acho legal que eles aprendam um pouco mais sobre pensamento simbólico. Profissionais de Exatas deveriam ler um pouco mais de filosofia, poesia. Faria bem aos astrônomos que tanto criticam a astrologia um procedimento de se informar mais sobre o saber que tanto criticam. Não vejo nenhum problema em relação a criticar a astrologia, mas vejo todos os problemas quando uma pessoa critica algo sem conhecimento mínimo de causa. As críticas mais comuns feitas por céticos em relação à astrologia são, geralmente, críticas fracas e pautadas num conhecimento muito superficial do tema.

3.- ¿Qué te motiva a estudiar la astrofísica?

Uma paixão imensa por enigmas. Os problemas astronômicos e astrofísicos sempre me pareceram fascinantes. Matemática e física possuem uma beleza enorme, mas são como mulheres bonitas demais, daquelas que você até se assusta e se sente intimidado quando encontra, até que as conhece melhor e compreende que não há nada de inalcançável nelas.

Também me motiva o não saber. Me deparar com questões que eu ignoro e aprender mais sobre elas é algo que aprecio muito. E a astronomia é para mim, atualmente, um desafio muito maior do que a astrologia.

Mas a minha área focal de estudo é a astrobiologia, mais do que a astrofísica. A questão da vida num contexto cósmico me fascina. A pesquisa de vida fora da Terra me mobiliza muito, ainda que seja uma pesquisa que envolva microorganismos, e não vida inteligente – que deve ser extremamente rara.

4.- ¿Cuál es tu percepción personal de Dios?

Pessoalmente, não me preocupo com esta questão. É claro que a perspectiva astrológica considera a existência de uma inteligência ordenadora, que poderia ser chamada de “deus”, mas não gosto do uso desta palavra, por uma razão muito evidente: trata-se de um termo utilizado por muitas pessoas para significar coisas totalmente diferentes.

Quando uma pessoa fala em “deus”, ao que ela está se referindo? Ao deus monoteísta e pessoal dos cristãos, muçulmanos, que supostamente opera milagres, atende a orações e estabelece interditos morais a partir de livros sagrados? Ao deus aristotélico, primeiro motor de todas as coisas, porém totalmente indiferente aos seres humanos e seus apelos? Ao deus de Spinoza, que na verdade é a natureza e, portanto, não é “bom” nem “mau”?

Se deus existe, duvido muito que seja qualquer coisa parecida com o que as pessoas atribuem a esta palavra. Não creio num deus pessoal que opera milagres e que é subornado por orações. Um deus que atende a desejos me parece mais um gênio de Aladin. Nada contra quem acredita, contudo.

Não sou religioso, nem teísta, e nem acho que precise ser para estudar astrologia. Já atendi cristãos, agnósticos e até ateus. Não me parece interessante usar discursos teológicos num atendimento astrológico. Astrólogos não são pastores.

5.- Mantienes la afirmación de que signos y constelaciones no son la misma cosa. ¿Por qué?

Porque não são a mesma coisa, e é impressionante que alguns astrônomos e astrólogos ignorem esta diferença. A astrologia ocidental é trópica, considera como sendo “signos” as doze partes da ecliíptica zodiacal, que é definida pela órbita da Terra em torno do Sol. A astrologia ocidental é geométrica, e seus signos são imutáveis, a não ser que a Terra saia de sua órbita (e, caso isso ocorra, ninguém se preocupará com astrologia).

Constelações são outra coisa. São desenhos feitos a partir da ligação que o homem faz entre estrelas. É esta confusão que faz muitos astrônomos sem conhecimento de causa afirmarem que “o signo mudou”. Confundem constelações com signos tropicais.

Você se refere à igreja católica? Não penso muito sobre ela, não sou católico e creio que não tenho que opinar sobre algo que não me diz respeito. A única coisa que me incomoda é quando esta igreja tenta interferir em assuntos que dizem respeito à política do meu país. Creio que o papel de uma igreja é orientar seus fiéis de acordo com seus valores, e não vejo problema algum em relação a isso, afinal as pessoas fazem parte desta ou daquela igreja porque querem e, se não se identificarem, podem sair e participar de outra religião, ou de nenhuma. Vivemos num país laico.

Acho que vale refletir sobre o interdito do Papa em relação à astrologia. Ele claramente diz que praticar astrologia é pecado. Na Biblia, temos duas referências explícitas sobre isso: uma diz que não devemos venerar os astros, uma crítica a religiões outras que fazem isso, como algumas religiões de matriz indigena que veneram o Sol, a Lua e as estrelas (no Brasil, temos o caso da tribo Bororo). Venerar astros não tem muito a ver com astrólogos. Pelo menos, não conheço nenhum astrólogo que adore a Lua ou o planeta Marte, mas pode até ser que exista. Em outra referência, está claro que “consultar adivinhos a respeito do futuro” é pecado. Entretanto, sabemos que há astrólogos na história do cristianismo, como Santo Agostinho que durante muito tempo fez mapas astrais e depois abandonou a prática por razões que nada têm a ver com o conceito de “pecado”. Eu mesmo conheci alguns padres que entendem de astrologia. E a arte cristã está repleta de referências astrológicas. Tenho um amigo astrólogo que deixou de praticar a arte por ser católico, e seguir o interdito papal. Acho coerente da parte dele. Como eu não sou católico, o interdito papal não me incomoda nem um pouco e não me diz respeito.

Deste modo, sendo direto: não me sinto na necessidade de tecer julgamentos sobre a igreja católica. Não me identifico com quase nada do que ela diz, não sou católico, mas entendo que algumas pessoas queiram ser.

7.- ¿Cuál es su definición personal de la Astrología?

Astrologia, na minha concepção, é uma forma de interpretar o mundo, é uma linguagem, uma forma de estabelecer significados para os acontecimentos do mundo e da vida das pessoas. Vejo a astrologia como um conhecimento tradicional da humanidade.

8.- ¿En que crees?

A pergunta é muito ampla. Eu sou inclinado a crer em evidências, e a suspender meu juizo e duvidar fortemente de crenças que são pautadas apenas na tradição, e nisso eu incluo muita coisa que é afirmada pelos astrólogos. Se dou crédito à astrologia, é por constatar que ela funciona a partir de verificações pessoais. E é claro que esta minha constatação é questionável, e acima de tudo deve ser questionada. Há quem se sinta ofendido com questionamentos contra a astrologia, como se a própria mãe tivesse sido ofendida. Não sou assim. Acho que tudo é digno de questionamento honesto.

Note que “crer” não é “garantir”, como bem diferenciava David Hume. Eu creio que o Sol nascerá amanhã, mas não posso garantir que isso ocorrerá. Creio que o Sol nascerá porque este é um evento que se repete, e eu já o presenciei por vezes sem fim. Mas tudo em que cremos é por pura indução, e não podemos garantir o que cremos. Há uma piada muito boa, sobre o frango indutivista: ele todos os dias era alimentado pelo homem às dez da manhã, e acreditava fortemente que todos os dias, às dez horas, o homem lhe traria comida. Até que, na véspera de natal, às dez horas, o homem não lhe trouxe comida, mas o degolou. Não podemos garantir que nenhuma de nossas crenças se mantenham para sempre, mesmo aquelas que se baseiam na realidade empírica. Mas – ainda citando Hume – nós temos que agir como crentes. O ceticismo absoluto é uma impossibilidade. Afinal, ninguém salta do décimo andar por duvidar da lei da gravidade. A gente acredita que a gravidade funcione, e tem que acreditar.

Sou uma pessoa muito inclinada ao ceticismo, o que parece estranho já que lido com astrologia e gosto do assunto, mas gostar do tema não anula a minha capacidade de estar sempre me questionando sobre ele. O problema é que, em geral, “gostar de astrologia” traz em seu bojo a crença em muitas outras coisas: vidas passadas, extraterrestres inteligentes e bonzinhos, anjos etc. Eu acho que uma coisa não tem a ver com a outra. Definitivamente, não acredito em muitas coisas, o que não significa que eu afirme que essas coisas não existem. “Duvidar” não é “afirmar a inexistência”.

E isso serve para quem não crê em astrologia também: duvidar é aceitável. Afirmar que a astrologia é totalmente falsa é um tanto quanto tolo. Contraria o próprio espírito da ciência. Nem Carl Sagan, cético que era sobre a astrologia, afirmaria que a astrologia não funciona. Ele a criticava, duvidava dela, apontava problemas. Mas duvidar não é negar.

9.- ¿Qué papel o rol juega la astrología en la sociedad actual?

Eu gosto da crítica que Adorno faz ao papel da astrologia contemporânea na sociedade atual. Segundo Adorno, no livro “As Estrelas Descem à Terra”, a astrologia atualmente é uma forma de manter o status quo. Em síntese, ele diz que vê a astrologia contemporânea como uma forma de adestramento social, uma forma de fazer as pessoas se comportarem bem e se conformarem. O discurso quase sempre atua como instruções do bom comportamento, a partir de prerrogativas de que existe um “modo certo” de ser e de agir evidentemente comprometido com a preservação da harmonia, da boa convivência, da pureza. É como se todos tivessem que ser librianos: a diplomacia é elogiada, a agressividade é criticada.

Acho que Adorno tem razão, mas acho também que ele se apega a uma astrologia de jornais, mais especificamente ao New York Times. Seria certamente injusto dizer que os conselhos de bom comportamento feitos pelo astrólogo do New York Times refletem toda a prática astrológica contemporânea, mas me parece um bom retrato do que ocorre, ao menos superficialmente. E acho que astrólogos deveriam refletir sobre esta crítica de Adorno. Seria tarefa do astrólogo dar conselhos sobre o comportamento das pessoas? Isso me parece uma tarefa possível, mas questiono se é válido estabelecermos este tipo de papel adestrador. Uma vez fiquei tão impaciente com isso que passei a criar um horroróscopo na internet: uma astrologia do mau comportamento, provocativa, que se focava no lado mais sombrio da alma humana. Fez um sucesso enorme. Acho que as pessoas estão se cansando de receber conselhos de bom comportamento. Elas querem algo que evoque a realidade. E a realidade certamente não é “fofinha”, o mundo não é “bonzinho”.

Tenho um amigo astrólogo que, num e-mail sincero de desabafo, disse que não curtia mais trabalhar com astrologia, pois ele passou a ver nela um instrumento que serve apenas para satisfazer as curiosidades egocentradas de pessoas de classe média e classe média-alta que podem pagar o alto preço cobrado por astrólogos. Meu amigo se queixa de não haver um aspecto social na astrologia. Também concordo com esta crítica, e aquí vale lembrar que a astrologia sempre esteve a serviço de reis e príncipes. Muito raramente tivemos exemplos de astrólogos que usaram sua atividade para classes mais baixas.

Mas tudo isso é só um pedaço da verdade. A Central Nacional de Astrologia, através de seus Circuitos (palestras públicas), permite o acesso do conhecimento astrológico a qualquer pessoa, de qualquer classe social. A internet também serve para espalhar o conhecimento. E há mapas astrais muito bons que podem ser feitos por sistemas computadorizados, que custam menos que 50 reais, um valor acessível para a larga maioria das pessoas.

Por fim, acho que a astrologia faz muito mais bem do que mal. Ela estimula as pessoas a pensar sobre si mesmas, a refletir sobre o comportamento humano. Independentemente de ser verdadeira ou não, só o fato de estimular estas reflexões já a torna válida, cumprindo um papel importante. Note também que o discurso astrológico se compromete com a aceitação da pluralidade: se as pessoas são tão diferentes, tanto quanto as personalidades destacadas pelos tipos astrais, como querer que elas não sejam o que efetivamente são? A astrologia, quando bem praticada, estimula a compreensão das diferenças entre as pessoas, e isso não é mero “adestramento da bondade”, é estimular a boa convivência na pólis, a cidade. Uma vez, conheci um senhor que me disse justamente isso: ele disse que não acreditava em astrologia, mas que sua mulher tinha se tornado uma pessoa muito mais paciente e compreensiva depois que começou a estudar o assunto, passando a respeitá-lo mais. Que ótimo!

10.- ¿Qué piensas de las “predicciones astrológicas en la vida de las personas” y si son posibles?

Temos aquí um problema que se desmembra em duas perguntas: 1. É possível fazer previsões em geral? 2. É possível fazer previsões a partir da astrologia?

Acho importante essa divisão, porque é fato incontestável que o ato de prever é algo que caracteriza o ser humano. Pensar sobre o futuro é algo que nos marca poderosamente, desde tempos imemoriais. Deste modo, um economista tenta prever o futuro da economia, um físico se pauta em dados para tentar prever fenômenos físicos. Se mandamos um foguete para o espaço, esperamos que isso resulte de acordo com o previsto.

A astrologia é um sistema que pretende fazer previsões. O filósofo da ciência Karl Popper acusa os astrólogos de elaborarem previsões não-falseáveis, ou seja, tão vagas e genéricas que serão sempre verdadeiras. O que é uma afirmação não-falseável? Dou um exemplo: se um astrólogo afirma que o mundo passará por um “momento de transformação”, ele está fazendo uma afirmação que é, de fato, extremamente vaga e pode ser justificada por quase tudo. Se o astrólogo diz para seu consulente que em 2011 ele “conhecerá pessoas importantes”, isso é igualmente vago e não pode se caracterizar como uma previsão certeira, pois ela será sempre verdadeira.

Uma previsão, para ter validade, precisa ser verdadeira ou falsa. Se algo é sempre verdadeiro porque me valho de malabarismos nas palavras, não posso afirmar honestamente que fiz uma previsão. Eu apenas “enrolei” a pessoa – e quando digo “enrolar”, não acho que isso seja intencional, pelo menos não sempre. Conheço pouquíssimos astrólogos que se encaixam na imagem do “indivíduo desonesto”, que tenta enrolar pessoas. A larga maioria acredita profundamente naquilo que faz.

Eu acho que o problema das previsões vagas é algo mais comum na prática astrológica moderna, que mescla psicologia em excesso em seu discurso. Mas não é verdade que todos os astrólogos fazem previsões vagas. A crítica de Popper me parece perfeitamente válida, mas ele estava se referindo a horóscopos de jornal, ou seja, ao que ele conhecia como astrologia, o que ele via em publicações. Acho a crítica dele muito válida, e deveria ser considerada por astrólogos que fazem previsões. Todo astrólogo deveria refletir: “estou usando um discurso muito vago? O que eu digo é pontual?”.

É importante ressaltar que as previsões astrológicas se pautam em observações empíricas. Vou dar um exemplo de cunho mundial, político: observou-se, ao longo de centenas de anos, que determinadas conjunções planetárias específicas tinham a ver com grandes guerras. Deste modo, se o astrólogo sabe que esta conjunção se repetirá daqui a 5 anos, ele afirma – baseado na experiência do passado – que uma grande guerra ocorrerá naquele momento. Ele crê nisso e tem razões para afirmar o que afirma, mas nada égarantido, tanto quanto não é garantido que previsões de economistas ou de qualquer especialista resultem em acerto indiscutível.

Isso pode ser aplicado também no contexto da vida de um indivíduo: se sei que Marte formará quadratura ao planeta Mercúrio do mapa astral de um sujeito, posso afirmar – de acordo com a astrologia – que o sujeito passará por uma fase de 5 a 7 dias em que se envolverá em problemas sérios decorrentes da comunicação falada ou escrita. Essa previsão não é vaga, é pontual, e pode ser verificada. E aquí entram as considerações: o astrólogo acerta mais do que erra? Erra mais do que acerta? Acertar sempre me parece uma impossibilidade. O que se espera de um sistema previsional é que ele acerte mais do que erre. Mas nenhum sistema previsional, nem os científicos, são infalíveis. Qualquer coisa que precise ser verificada a posteriori é, por natureza, passível de sair errado.

Se as previsões astrológicas pontuais funcionam, não há uma explicação sobre as razões. Não pode ser por “influência planetária”, pelo menos não por conta de uma influência que se paute em energias mensuráveis. A física quântica também não explica a astrologia, como muita gente diz ou, melhor dizendo, não explica nada até o momento. A física quântica é uma física que estuda o comportamento de partículas subatômicas, e Saturno não é uma partícula subatômica.

Mas se a astrologia não tem respaldo científico, ao mesmo tempo é curioso notar que a ciência oficial não se dispõe a fazer estudos honestos em torno do tema. Estou certo de que muitas das afirmações astrológicas não se sustentariam, mas aposto que muita coisa seria verificada.

11. ¿Qué piensa usted de las asociaciónes constantes entre la física cuántica y la astrología?

Eu diria que nestas associações eu não vejo nada de fisica quântica, então vejo isso apenas como retórica. O termo “quântico” está na moda, e é utilizado via de regra como forma de impressionar. Em alguns casos, o uso me parece desonesto (quando quem usa a associação claramente está enrolando seu interlocutor), em outros casos o que noto é uma utilização incorreta, mas ingênua, da teoria quântica a partir do que o sujeito entendeu. Temos, então, dois perfis: aquele que usa o conceito de modo desonesto, e o que o utiliza de modo ingênuo. Não acho que isso traga bem algum à astrologia.

Noto que alguns astrólogos tentam incorporar jargões cientificos atuais em seu discurso, e acho que isso transparece um desejo de aceitação social e legitimidade. Afinal, nos tempos atuais, a ciência tem um peso enorme. Dizer que algo é “cientifico” é como dizer que esta coisa é “respeitável”. Mas não me parece respeitável falar de algo que não se conhece. Além do que, o vulgo trata a teoria quântica de uma forma exagerada. A teoria quântica é, para a física, apenas uma teoria, não é uma verdade absoluta. Pode ser substituída, no futuro, por uma teoria inteiramente nova. Acho que a astrologia não precisa de um “discurso quântico” para se fazer respeitar.

Minhas observações não invalidam, é claro, a pesquisa honesta. Se alguém quiser desenvolver uma teoria quântica para a astrologia, ótimo. Mas espero que essa pessoa pelo menos estude física quântica, e não livros pseudocientíficos sobre o assunto. A astrologia não é uma pseudociência, mas passa a ser encarada como tal quando passa a se valer de jargões e explicações que só parecem científicos para quem não entende do assunto. Para quem entende, o discurso fica meio desonesto.

12. ¿Qué  críticas le parecen más injustas?

Dentre todas, a mais tola me parece ser a que acusa astrólogos de “enganar as pessoas e tirar o dinheiro delas”.

Esta crítica me parece prepotente, justamente por subestimar a inteligência das pessoas. Certamente, quem usa este tipo de crítica parte do pressuposto de que quem consulta um astrólogo é bobo ou ingênuo.

Ora, é claro que já atendi gente que me pareceu ingênua e até pessoas sem muita instrução formal, que poderiam ser tidas como “fáceis de manipular”. Mas em toda a minha vida atendi pessoas com pós-doutorado, cientistas, gente mais inteligente do que podemos imaginar. Se a pessoa tem dinheiro para gastar com um astrólogo e quer fazê-lo, por que criticar isso? Por que regular o que as pessoas fazem com seus próprios recursos?

Não é dinheiro público que está sendo usado. É o dinheiro da própria pessoa. Diga-se de passagem, um astrólogo profissional ou dono de escolas do gênero pagam impostos como qualquer cidadão. Eu pago impostos consideráveis à cidade de São Paulo para cada ganho que tenho como autor dos textos do site Personare. Eu adoraria ganhar o mesmo que ganho com astrologia dando aulas de filosofia, até porque prefiro mil vezes dar aulas de filosofia do que fazer o mapa astral dos outros. Se alguém quiser me convidar, fique à vontade.

O que me parece estar por tras desta critica é certo despeito. Se alguns astrólogos ganham mais do que cientistas ou professores de áreas ditas oficiais, lamento pelos cientistas e professores, e espero que o quadro deles mude. Acho que cientistas e professores deveriam ganhar muito bem. Mas não é atirando pedra no telhado dos outros que o nosso se torna melhor.

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