Simone de Beauvoir e o “segundo sexo”

BIOLOGISMO FEMININO

Ao longo do primeiro capítulo de seu livro “O Segundo Sexo”, Beauvoir discorre longamente sobre as singularidades peculiares que caracterizam não apenas a fêmea da espécie humana, como também o sexo feminino dos animais pluricelulares. A questão levantada é: afinal, o que é isso que chamamos de “mulher”? O sexo feminino guarda interseções com a condição homossexual no que tange à singularidade: ninguém é definido como “um grande escritor heterossexual”, mas o epíteto “escritor gay” é bem demarcado, salientando a diferença, a condição de “outro”. Paralelamente, a mulher é apresentada ao mundo como o segundo sexo, como a oblíqua que se define a partir da reta vertical absoluta (o macho). Se “o homossexual”, conforme relatado por Foucault, é uma entidade que surge a partir de 1870 por conta de uma série de teses sobre essências inatas, a mulher se vê nesta mesma condição desde tempos imensamente mais antigos. Beauvoir cita Aristóteles, que afirmava ser a mulher o que é por certa carência de qualidades, por ter um caráter com deficiências naturais. Tomás de Aquino, centenas de anos depois, declara a mulher como um “homem incompleto”. Em praticamente todas as ocasiões da história da filosofia ocidental, a mulher é definida não por si mesma, mas em função do homem, como derivação deste – uma derivação defeituosa. A história da filosofia ocidental é a história do pensamento do macho dominante e a existência da mulher é a existência de um “Outro”.

Do mesmo modo que para Dean Hamer o homem homossexual é criado a partir do gene anômalo cedido por uma mulher, para a Bíblia a mulher é criada a partir de um pedaço do corpo do macho, Adão. A determinação biológica do destino da mulher é anunciada no Gênesis, quando Deus diz: “multiplicarei tuas dores do parto / em sofrimento darás à luz os teus filhos / e o teu desejo será para o teu homem, e ele te submeterá.[1] Com estas palavras, anunciam-se as duas supostas verdades milenares cristãs acerca da mulher: ela está biologicamente destinada a determinadas condições, e será submissa ao homem. A mulher é “o Outro”, o segundo sexo.

O “Outro” não é apenas a mulher, não se define apenas pela diferenciação dos sexos. Temos o “Outro” como o negro, como o judeu, como o homossexual, o índio e qualquer outra classe de seres que se inclinam para fora do eixo vertical dominante. Não à toa, a condição singular é sempre evocada nas titulações como um diferencial que lembra a todo instante: “você é o outro”. Barack Obama não é apenas o presidente dos EUA, ele é o presidente negro; Hannah Arendt é frequentemente descrita como uma grande pensadora judia. Muito embora tais adendos descritivos funcionem como uma forma de afirmação positiva, e é interessante que se destaque que temos negros no poder e mulheres que são grande pensadoras, há outro lado para tudo isso: a rotulação que acompanha alguns como algo que é mais importante do que suas obras, e na verdade não o é. Clarice Lispector, por exemplo, era continuamente citada no Brasil como sendo uma grande escritoraestrangeira, e odiava isso. Ela queria ser lembrada como uma escritora, e ponto final.

Não obstante possamos ser o “Outro” por sermos negros, judeus, estrangeiros ou gays, a mulher, todavia, é o mais antigo e mais intenso “Outro”, e mesmo em condições marginais continua a sê-lo, podendo ser inclusive “o Outro do Outro”, como no caso das mulheres judias, negras ou índias, ou mesmo do desprezo do termo “fêmea” quando proferido por homossexuais como um insulto ou ironia a outro homossexual. “Bendito seja Deus por não ter me feito mulher”, dizem os judeus em suas orações matinais, ao passo que as mulheres oram “Bendito seja Deus que me criou segundo Sua vontade”, recorda Beauvoir.

A mulher ainda surge como o “Outro” supostamente inescapável por seu fenótipo inocultável similar ao negro – nenhum dos dois pode disfarçar suas evidências biológicas, salvo através de grande esforço e recursos artificiais. Diferente do judeu ou do homossexual, que não são necessariamente reconhecidos por dados fenotípicos aparentes (não obstante as falsas idéias dos redemoinhos capilares dos gays de Amar Klar), mulheres e negros revelam suas condições ao primeiro olhar.

Haveria distinções efetivas que tornariam a mulher diferente do homem? Incontáveis pesquisas se debruçam sobre este tema, procurando demonstrar que haveria, sim, distinções cerebrais, biológicas e, consequentemente, diferenciações comportamentais, talentos diferentes. Ainda assim, nenhuma pesquisa fecha a questão: estas diferenças são inatas ou construídas? Que há distinções biológicas entre machos e fêmeas, Beauvoir não o nega, tratam-se de distinções amplamente conhecidas e não nos cabe no presente trabalho detalhá-las pormenorizadamente, até porque são de conhecimento público: mulheres menstruam, possuem menos força física que os homens, etc. A questão é: tais biologismos constituem um destino para a mulher? Diz Beauvoir:

Esses dados biológicos são de extrema importância: desempenham na história da mulher um papel de primeiro plano, são um elemento essencial de sua situação. Em todas as nossas descrições ulteriores, teremos que nos referir a eles. Pois, sendo o corpo o instrumento de nosso domínio no mundo, este se apresenta de modo inteiramente diferente segundo seja aprendido de uma maneira ou de outra. Eis porque o estudamos tão demoradamente; são chaves que permitem compreender a mulher. Mas o que recusamos, é a idéia de que constituem um destino imutável para ela. Não bastam para definir uma hierarquia dos sexos; não explicam porque a mulher é o Outro; não a condenam a conservar para sempre esta posição subordinada.[2]

Após relatar detalhadamente as diferenciações biológicas entre machos e fêmeas não apenas na raça humana como também em outras espécies animais, Beauvoir aponta para uma singularidade de nós, humanos: nós, homens e mulheres, somos o Outro da natureza, somos a exceção. Animais não fogem às suas programações biológicas, estão sujeitos a ela de forma inescapável. O ser humano é outra coisa. Diz Beauvoir:

(…) os animais constituem espécies dadas de que é possível fornecer descrições estáticas: basta agrupar observações para concluir se a égua é ou não tão veloz quanto o garanhão, se os chimpanzés machos respondem melhor aos testes intelectuais do que suas companheiras, ao passo que a humanidade está em constante vir-a-ser.[3]

Note-se que Beauvoir não nega os fatos biológicos. Ela compreende que constituem realidades indiscutíveis as diferenciações biológicas das mulheres em relação aos homens: as mulheres são fisicamente mais frágeis, possuem menos glóbulos vermelhos, etc. Os fatos não são negados, mas, conforme afirma Beauvoir, eles não têm sentido em si. As desvantagens fisiológicas das mulheres em relação aos homens só fazem sentido dentro de um contexto de mundo que o homem estabelece. Em contextos diferenciados, nos quais a força física não é relevante, a desvantagem do corpo feminino se anula. A noção de “fraqueza”, portanto, só tem pertinência dentro de contextos muito específicos. Se não temos mais necessidade de enfrentar fisicamente a natureza, que diferença faz se um homem é capaz de levantar 100 quilos enquanto uma mulher só consegue levantar 50? Diz Beauvoir: “É somente dentro de uma perspectiva humana que se podem comparar o macho e a fêmea dentro da espécie humana.[4] Ou seja, as vantagens do homem sobre a mulher só fazem sentido dentro do contexto que o homem propõe.

A HUMANIDADE COMO “O OUTRO” DA NATUREZA

Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Michel Foucault, Heidegger e Merleau-Ponty, não obstante suas diferenças filosóficas, concordam num ponto: o ser humano não é uma espécie natural, é uma idéia histórica. Não está, como os animais, restrito a uma programação, não é uma realidade imóvel. Neste sentido, a biologia de nossos corpos não é uma “coisa”, é uma situação. Mas quando se diz que o ser humano é uma antiphisis, ou seja, não-natural, a expressão talvez não seja a mais adequada, pois ninguém consegue contradizer inteiramente o que está dado biologicamente: sentimos fome, precisamos comer, nossos corpos morrem, sofremos de doenças, etc. Todavia, é pela forma como lidamos com esta natureza que constituímos a nossa verdade humana.

O contexto da vida e obra de Beauvoir não lhe permitiu presenciar uma série de transformações e invenções tecnológicas capazes de desencadear mudanças tão radicais que nos obrigam a repensar o conceito de “alma”, “eu”, “essência”. Como Foucault, ela viu o futuro. É diante de clones, ciborgues e outras construções que colocamos a própria humanidade em questão. A morte do humano e o surgimento do pós-humano é, a cada dia, um fato. A fusão em graus variados entre o dito “natural” e o “artificial” é marca registrada de nossa sociedade. O estruturalismo tem importância filosófica por teorizar dois grandes temas: o “eu” e a “história”. Na contramão do discurso existencialista, que exalta a centralidade de um “eu” criativo e construtor do futuro, o estruturalismo proclama a morte do homem em nome de estruturas inconscientes.

Este pós-humano meio homem, meio máquina nos conduz a pensar não em “sujeitos” como mônadas ou indivíduos, mas em termos de fluxos e intensidades, conforme sugerido pela ontologia deleuziana. O mundo não seria constituído por unidades-indivíduos que agem sobre outras unidades, mas de correntes que se entrecruzam, turbilhonantes.

A professora de História da Universidade da Califórnia, Donna Haraway, define o tempo em que vivemos como o derradeiro momento em que as tradicionais oposições entre “natureza” e “cultura” são desfeitas. O senso comum costuma utilizar o termo “natural” para designar algo essencial e imutável. Ao longo dos tempos foi dito às mulheres que elas eram naturalmente fracas e submissas, emocionais e incapazes para determinadas abordagens intelectuais. Fazia parte da “essência feminina” ser mãe, emotiva, voltada para relacionamentos, fisicamente frágil, etc. Mas hoje em dia, senhora de seu corpo, a mulher menstrua se quiser, torna-se mãe se assim desejar e há aquelas que – via biotecnologias – se tornam tão ou mais fortes, velozes e resistentes fisicamente do que homens, anulando a desvantagem e mantendo seus respectivos fenótipos femininos. Há situações mais radicais: contemporaneamente, como caso ilustrativo, temos o caso da mulher que se tornou fenotipicamente homem, Thomas Beatie, mas manteve seu útero. Em termos de aparência e capacidades, Thomas é um homem como outro qualquer (tão forte e veloz quanto), mas dotado da capacidade de engravidar e gerar filhos, habilidade que nenhum “homem natural” possui. Casado há mais de dez anos com sua mulher, Nancy, ambos decidiram ter um filho, mas Nancy – que é fenotipicamente mulher – teve que tirar o útero em decorrência de uma endometriose. Thomas, em contrapartida, mantinha o útero e pôde gerar uma criança a partir de um óvulo artificialmente fecundado de sua mulher, Nancy. A estas alterações biológicas desencadeadas pela tecnologia, Haraway define como “transhumanismo” e anuncia o novo humano como sendo um “ciborgue” – estruturas construídas a partir de avanços científicos. Do mesmo modo que um indivíduo do sexo masculino é hoje em dia capaz de vencer os ditames da natureza contra sua potência sexual em idade avançada através do uso de medicamentos como o Viagra, mulheres podem suprimir os incômodos da tensão pré-menstrual através do uso de medicamentos. Um homem que se veja como mulher pode mudar de fenótipo, e vice-versa. Há drogas que nos deixam mais fortes, que prolongam a vida, que nos deixam mais inteligentes, etc. Sem entrar nas polêmicas éticas e nos eventuais perigos que envolvem tais procedimentos, o fato é que – conforme dito por Beauvoir – a humanidade não está limitada, como os animais, às programações da natureza.  Haraway estuda contemporaneamente o que Beauvoir, em sua época, apenas teve a oportunidade de prever sem dispor de exemplos muito radicais: não estamos restritos à nossa biologia. A fragilidade física da mulher é contingente, não faz parte de uma suposta essência.  Beauvoir não presenciou os atuais avanços tecnológicos, que permitem que uma mulher fecunde outra via técnicas de inseminação artificial na qual o material genético de um óvulo é retirado e utilizado para fecundar outro óvulo, numa situação que gerará apenas mulheres. Muito embora tal procedimento não seja realizado no âmbito humano por conta de questões éticas da profissão médica, só o fato de ser possível já demonstra o quanto é destino do ser humano ultrapassar a própria biologia. Beauvoir, contrariando o destino proclamado pelo Gênesis, estava certa.

Diz Beauvoir, sobre o materialismo histórico:

A teoria do materialismo histórico pôs em evidência muitas verdades importantes.A humanidade não é uma espécie animal: é uma realidade histórica. A sociedade humana é uma anti-phisis: ela não sofre passivamente a presença da Natureza, ela a retoma em mãos.Essa retomada de posse não é apenas uma operação interior e subjetiva; efetua-se objetivamente na práxis.”[5]

Não se nega que a natureza possua um poder sobre o humano, nem se rejeita o fato de que nascemos dentro de determinadas contingências biológicas. Historicamente falando, é altamente provável que no passado remoto, quando a prioridade era defender a tribo de feras, caçar para comer e lutar para sobreviver, o macho da espécie humana tinha notável vantagem e, por conseguinte, evocava esta vantagem como uma superioridade biológica indiscutível. Muito embora as mulheres das cavernas fossem provavelmente mais robustas e fortes do que a fêmea do homo sapiens sapiens, ainda assim eram – quase certamente – mais frágeis do que os machos da espécie. Gravidez, parto, menstruação, todas estas condições sempre colaboraram para ao menos uma temporária fragilidade da mulher diante do mundo circundante. Os primeiros tempos da espécie humana foram muito duros, muito difíceis, era necessário um esforço muito maior para resultados pequenos no que concerne à caça, à produção agrícola e pecuária. Crianças nasciam o tempo inteiro, e as condições de higiene não colaboravam para a manutenção da boa saúde. O ser humano, entretanto, apresenta um enorme diferencial em relação aos outros animais, e este diferencial é bem explicado pelo discurso de Beauvoir:

Temos aqui a chave de todo mistério. No nível da biologia é somente criando-se inteiramente de novo que uma espécie se mantém; mas essa criação não passa de uma repetição da mesma Vida sob formas diferentes. É transcendendo a Vida pela Existência que o homem assegura a repetição da Vida: com essa superação, ele cria valores que denegam qualquer valor à repetição simples. No animal, a gratuidade, a variedade das atividades do macho permanecem vãs porque nenhum projeto o habita; quando não serve a espécie, o que faz não é nada; ao passo que, servindo a espécie, o macho humano molda a face do mundo, cria instrumentos novos, inventa, forja um futuro.Pondo-se como soberano (nota minha: em relação à natureza), ele encontra a cumplicidade da própria mulher, porque ela é também um existente, ela é habitada pela transcendência e seu projeto não está na repetição e sim na sua superação em vista de um futuro diferente.[6]

Com o passar do tempo, de tanto se empenhar em dominar a natureza, o ser humano alcançou um estado de existência em sociedade no qual é possível viver com muito mais conforto e tranquilidade e, deste modo, as capacidades físicas superiores do macho terminaram se tornando quase obsoletas dentro do contexto contemporâneo. É a partir daí que a fêmea evoca sua igualdade de direitos, pois nada mais da sua biologia a põe em desvantagem. Se ela continua a ser fisicamente menos forte do que um macho, esta contingência pouco importa se considerarmos que vivemos num mundo de contratos legais bem constituídos – se o macho agride a fêmea, esta não pode reagir com força física, mas poderá reagir com a força da lei, tremendamente mais poderosa do que o vigor muscular do macho agressor. A mulher contemporânea não é mais vítima das contingências do sorteio biológico ao qual foi submetida pela natureza.

O SURGIMENTO DA CULTURA TRANSHUMANA

Se o ser humano é um constante vir-a-ser, conforme aponta Beauvoir, uma construção cultural, então todos nós podemos ser reconstruídos se nos valermos do instrumental que torne isso possível. A cybercultura aposta no fato de que é possível reconstruir nosso “eu”, nossa idade, nossa sexualidade, até mesmo nosso gênero, o que termina incorrendo na morte do sujeito humano. O “eu” imutável cai por terra, dando lugar a um constante devir. Percebemo-nos não como partículas, mas como redes, constantemente enviando e recebendo informações ao longo da imensidão de redes-outras que compõem o nosso mundo.

Diz Haraway:

No final do século XX, neste nosso tempo, um tempo mítico, somos todos quimeras, híbridos – teóricos e fabricados – de máquina e organismo; somos, em suma, ciborgues. O ciborgue é nossa ontologia; ele determina nossa política. O ciborgue é uma imagem condensada tanto da imaginação quanto da realidade material: esses dois centros, conjugados, estruturam qualquer possibilidade de transformação histórica. Nas tradições da ciência e da política ocidentais (a tradição do capitalismo racista, dominado pelos homens; a tradição do progresso; a tradição da apropriação da natureza como matéria para a produção da cultura; a tradição da reprodução do eu a partir dos reflexos do outro),  a relação entre organismo e máquina tem sido uma guerra de fronteiras. As coisas que estão em jogo nessa guerra de fronteiras são os territórios da produção, da reprodução e da imaginação. Este ensaio é um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção. É também um esforço de contribuição para a teoria e para a cultura socialista-feminista, de uma forma pós-modernista, não naturalista, na tradição utópica de se imaginar um mundo sem gênero, que será talvez um mundo sem gênese, mas, talvez, também, um mundo sem fim.[7]

Por conta de tudo isso, é extremamente difícil falar na manutenção eterna de movimentos políticos gays, feministas, movimentos negros, etc., muito embora tais movimentos sejam por demais importantes até certo ponto. Mas seu derradeiro destino é a dissolução, num futuro possível no qual não será mais necessário lutar por direitos que já estarão conquistados. A percepção de exclusão que decorre do ato de rotulação não nos escapa à crítica. Após o reconhecimento de que gênero, raça, classe e outras categorizações são socialmente constituídas, e não “determinações biológicas”, nada disso poderá sustentar por muito tempo a crença numa unidade essencial. Mulheres são tão diferentes entre si quanto dois gays podem não ter nada em comum além do desejo pelo mesmo sexo (que, diga-se de passagem, é e não é o mesmo desejo ao mesmo tempo, já que ninguém deseja nada do mesmo modo), e dois negros poderão ter menos identificação recíproca do que um negro e um branco. Por isso, a evocação contínua em prol de uma identidade realizada por determinados grupos militantes (sejam eles gays, feministas, negros ou militantes de qualquer outra coisa), ainda que seja momentaneamente importante, se revelará obsoleta com o passar do tempo, num tempo vindouro no qual todo ser humano se compreenderá como transhumano, mutante, ciborge, e a luta não será por “assumir identidades”, e sim por conquistar a igualdade dentro da diferença. Será uma diferenciação tão intensa que tornará pálidas as diferenças que fazemos hoje em dia em relação a negros, mulheres ou gays. E seremos, finalmente, não o “Outro Estrangeiro” de um grupo majoritário, mas outros uns dos outros.

[1] Genesis, 3:16.

[2] Beauvoir, O Segundo Sexo, Volume I. Difusão Européia do Livro, 1970: pp.51-2.

[3] Ídem: pp. 53.

[4] Beauvoir, O Segundo Sexo, Volume I. Difusão Européia do Livro, 1970: pp.54.

[5] Beauvoir, O Segundo Sexo – Volume I. Difusão Européia do Livro, 1970: pp. 73.

[6] Beauvoir, O Segundo Sexo, Volume I. Difusão Européia do Livro, 1970: pp.85.

[7] Haraway e Kunzru, Antropologia do Ciborgue – As Vertigens do Pós-Humano. Autêntica, 2009: pp.37-8

BIBLIOGRAFIA

BEAUVOIR, Simone – O Segundo Sexo – Volume I – Difusão Européia do Livro, 1970. Tradução de Sérgio Milliet.

HARAWAY, Donna e KUNZRU, Hari – Antropologia do Ciborgue – As Vertigens do Pós-Humano – Autêntica, 2009. Tradução de Tomaz Tadeu.

Agradecimentos especiais a Ana Sivieri, que me presenteou com “O Segundo Sexo”, de Beauvoir.

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